Guarulhos – Irmão de vereadora do PT é preso acusado de desvio de verbas

By | 3 de junho de 2016

O irmão da vereadora guarulhense Genilda Bernardes (PT), Gilmar Aparecido Alves Bernardes, foi preso nesta manhã na Operação Sanctorum, realizada pela Polícia Civil. Ele e mais dois homens são  acusados de participarem de um esquema de desvio de verbas de emendas parlamentares de deputados estaduais e federais ainda não identificados destinadas a hospitais filantrópicos, com a compra superfaturada de equipamentos médico-hospitalares.  Genilda, que foi secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de Guarulhos, desde o início do segundo mandato do prefeito Sebastião Almeida (PT) até abril, é ligada ao grupo político do deputado estadual Alencar Santana (PT).

Gilmar Aparecido Alves Bernardes foi preso em Presidente Prudente. Ronildo Pereira de Medeiros e Luiz Antônio Trevisan Vedoin, que já haviam sido presos na Operação Sanguessugas, em 2006, foram detidos em Cuiabá (MT).  Segundo reportagem publicada pelo G1, em Presidente Venceslau, os policiais civis realizaram buscas e apreensões na Santa Casa e na residência e no escritório do provedor do hospital, Antonio José Aldrighi dos Santos. O delegado Mauro Shiguetoshi Chiyoda, que coordena a operação em Cuiabá, informou o cumprimento das prisões e de buscas nas residências dos envolvidos.
De acordo com a Polícia Civil, há demonstração de existência de “prática de crimes de extorsão, peculato, apropriação indébita, associação criminosa ou organização criminosa, crimes contra a ordem tributária e lavagem de capitais”.
Ainda segundo a reportagem do G1, “as investigações apuraram que o grupo coopta provedores de hospitais filantrópicos, muitas vezes com a promessa de pagamento de vantagem indevida e, em seguida, com a liberação dos recursos, a mesma organização empresarial criminosa ingressa na venda dos produtos por meio de empresas ‘fantasmas’ registradas em nome de ‘laranjas’, com a venda de produtos em valor muito superior ao de mercado, isso quando efetivamente ocorre a entrega”, apontou a Polícia Civil.
Contudo, ainda não se sabe se isso ocorreu ou como houve o pagamento ao provedor Antonio José Aldrighi dos Santos, da Santa Casa de Presidente Venceslau. Por enquanto, foi apurado que houve a compra de equipamentos superfaturados, além de medicamentos e produtos hospitalares que constam em notas fiscais emitidas por uma empresa fantasma, totalizando cerca de R$ 800 mil, mas que nunca entraram no estoque do hospital.
Esses indícios foram confirmados pelo provedor Antonio José Aldrighi dos Santos, em confissão ocorrida no dia 26 de maio de 2016, na sede da Central de Polícia Judiciária (CPJ), em Presidente Venceslau, “o que revela um extenso esquema criminoso voltado a solapar o diminuto e sagrado patrimônio do Estado voltado ao precário sistema de saúde do Brasil, que tem como elo importante as Santas Casas como integrantes do Sistema Único de Saúde”, conforme a Polícia Civil.
“As investigações de Polícia Judiciária demonstraram, ainda, que no início de 2012, Ronildo Pereira de Medeiros, agindo com o cooptador para a área do Estado de São Paulo e Norte do Paraná, Gilmar Aparecido Alves Bernardes, realizaram uma reunião no Hotel Colúmbia, na cidade de São Paulo, em que participaram Antonio José Aldrighi dos Santos e outros vinte provedores de hospitais públicos e filantrópicos, quando então os provedores e diretores entregaram uma lista de equipamentos de interesse aos nosocômios, ao assessor do então deputado federal e líder do governo federal, à época, Cândido Elpídio de Souza Vaccarezza”, pontuou a corporação.