Juízes federais e procuradores criticam Renan: ‘Profunda repulsa’

By | 27 de outubro de 2016

Associações reagiram às declarações do presidente do Senado, que chamou de “juizeco”o magistrado responsável pela prisão dos policiais legislativos na Métis

Por Eduardo Gonçalves
access_time 25 out 2016, 13h34 – Atualizado em 25 out 2016, 19h25
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O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, durante sessão do Congresso Nacional para análise e votação de vetos presidenciais – 18/10/2016

O presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, durante sessão do Congresso Nacional para análise e votação de vetos presidenciais – 18/10/2016 (Antonio Augusto/Câmara dos Deputados).

As duras críticas do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao magistrado Vallisney de Souza Oliveira, a quem chamou de “juizeco” por sua atuação à frente da Operação Métis, provocaram a reação de juízes federais e de procuradores da República, além da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia. Em nota, trinta e nove juízes da seção judiciária do Distrito Federal, onde Oliveira trabalha, também manifestaram “profunda indignação e repulsa” às declarações de Calheiros e prestaram solidariedade ao colega.

“Impressiona saber que o presidente do Senado e do Congresso Nacional, sob o equivocado e falacioso argumento de um ‘Estado de Exceção’, e com sério comprometimento das relevantes atribuições de seu cargo, permita-se aviltar o tratamento respeitoso devido a outra autoridade que, como ele, é também membro de Poder, isso sim a criar um cenário de instabilidade e a colocar em severa dúvida se é o Estado republicano, democrático e de Direito que realmente se busca defender”, diz o texto assinado pelos magistrados. Vallisney é titular da 10ª Vara do DF, responsável por processos de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e de colarinho branco.

Nesta segunda-feira, numa rara entrevista em seu gabinete, Renan Calheiros classificou a operação, que prendeu quatro policiais legislativos na última sexta, como um “espetáculo inusitado que nem a ditadura fez”. “Tenho ódio e nojo a métodos fascistas. Como presidente do Senado, cabe a mim repeli-los”, disse o peemedebista. Na visão de Renan Calheiros, o juiz de primeira instância não teria prerrogativa para tomar decisões em relação à Polícia do Senado.