Os Jornais ,The Washington Post, The New York Times, The Economist, The Wall Street Journal, El País ,Die Zeit

By | 23 de março de 2016

The Washington Post

O diário norte-americano dá destaque ao impasse entre Judiciário e Executivo e afirma que o escândalo ameaça engolir Lula e Dilma, “dois dos líderes mais poderosos do Brasil.” A publicação afirma que a tentativa de nomear Lula como ministro é mais uma reviravolta dramática da Lava-Jato e ressalta que, entre os citados nas delações premiadas, também está o líder da oposição, Aécio Neves. A publicação aponta que o juiz Sergio Moro, apesar de estar realizando um “bom trabalho”, agiu ilegalmente ao liberar escutas telefônicas do ex-presidente Lula.

The New York Times

Em cobertura crítica a Dilma, a publicação norte-americana chama de “surda” e “rídicula” a justificativa da presidente para convidar Lula para a Casa Civil. Para o NYT, a nomeação seria uma tentativa de dar foro privilegiado ao político. Em uma das reportagens, é apresentada a linha sucessória do governo. A lista mostra que o vice-presidente Michel Temer e os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha (PMDB-­RJ) e Renan Calheiros (PMDB-AL), são acusados de corrupção. O texto aponta que Aécio Neves também está envolvido no escândalo.

The Economist

A revista britânica dá destaque para o confronto entre o governo e o Judiciário e ao papel do PMDB na sobrevivência do governo. “O PMDB vai, como é seu costume, seguir a opinião pública”, diz a revista. Para a publicação, a liberação das escutas torna a disputa entre os poderes “implacável”. O grampo “parece sustentar a tese de que Dilma tentou proteger Lula”. Em relação a Sergio Moro, The Economist diz que, apesar da “sua perseguição obstinada à corrupção”, tomou atitudes que podem ter ido longe demais e que, por isso, tem sido criticado.

The Wall Street Journal

O principal jornal de economia dos Estados Unidos escreveu sobre o impeachment de Dilma e ressaltou as medidas adotadas por Eduardo Cunha para dar agilidade ao rito. Na visão da publicação, apesar de o ex-presidente Lula negar qualquer envolvimento no escândalo, a indicação para a Casa Civil foi uma tentativa para blindá-lo de possíveis acusações e que ele, dificilmente, conseguirá escapar de uma denúncia criminal. O convite para Lula integrar o governo foi interpretado como “última cartada” da presidente, uma estratégia “certa na hora errada.”

El País

Ao tratar da divulgação das escutas de Lula, o jornal espanhol demonstrou preocupação em relação às próximas semanas. Para a publicação, nada indica que o “frenesi enlouquecedor da última semana vai parar”. Outro tema abordado foi a manifestação do dia 13, chamada pelo jornal de a “maior reunião política na história democrática do Brasil, organizada por forças da oposição”. O El País ressaltou a relação conflituosa entre o governo petista e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu a posse de Lula na Casa Civil.

Die Zeit

O título de um artigo expõe a visão do jornal alemão sobre a crise: “Brasil – todos contra todos, ninguém pelo povo”. Para a publicação, o país experimenta intrigas dignas de séries de televisão como House of Cards. Lula é descrito como “velho combatente do movimento sindical” chamado por Dilma para tentar contornar a crise. O texto aponta a divulgação dos áudios como um possível “ato de vingança” de Sergio Moro contra a nomeação do ex-presidente. Para o Die Zeit, o sistema político brasileiro perdeu a credibilidade quase por completo.